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6 de janeiro de 2011 às 22:15:34


IDOSOS

Idade não é mais decadência, é esperança

“Vós, que estais entrando na casa dos quarenta, podeis não saber, mas sois a mais feliz das gerações”.Esta era a frase de abertura de um pequeno livro — “A vida começa aos 40”, best-seller de 1936, do americano Walter B.Pitkin e traduzido por Érico Veríssimo, que conseguiu manter em português o humor com que um professor da Universidade de Colúmbia ensinava a aproveitar a nova marca da longevidade humana. Na época, a média de vida era de apenas 45 anos.

Hoje, com a média de vida dos brasileiros atingindo 72 anos, os jornais anunciam: “A vida começa aos 60”. Um número cada vez maior de pessoas está chegando aos 90, 100 anos. Até pouco tempo, um homem ou mulher que completava 100 anos era tão raro que tinha a foto na primeira página dos jornais.

A aposentadoria e a velhice, antes tão lamentadas, passaram a ser festejadas, criando saudável problema para a sociedade: conviver com o fato inusitado do grande número de idosos.

Os DEMOCRATAS incluem os idosos nas suas prioridades. Eles são 30% dos cidadãos brasileiros com direito a voz e voto.

Idosos não são coitadinhos. São cidadãos como os outros e assim devem ser tratados. Sem falar que podem contribuir com seus exemplos, pois são símbolos da longevidade humana, e detêm experiência e sabedoria acumuladas. É verdade que às vezes se tornam incômodos para populistas e impostores. Basta que, assumindo o papel de “testemunha ocular da História” (como se anunciava o Repórter Esso nos “tempos de ouro do rádio”) desmascarem como reles plágio a propaganda de Lula de que é o “Pai dos Pobres”. Quem viveu os anos 40 do século passado lembra-se que o apelido tem dono. Era usado pelo ditador Getúlio Vargas para atribuir à concessão pessoal da sua generosidade o que era direito legítimo dos trabalhadores. Essa imitação grosseira desmoraliza Lula, mas é apenas uma hipótese para explicar a crueldade do governo com os idosos. Basta lembrar o que fez o fatídico ministro Berzoini formando filas de aposentados em cadeiras de roda e macas para que eles provassem que estavam vivos, já que tinham mais de 80 anos.

A questão dos idosos, porém, é que eles precisam de cuidados que compensem a fragilidade resultante do fatal “desgaste do material”. O corpo dá sempre algum sinal de cansaço pelo longo uso. Reclamam atenções que lhes devem ser concedidas como retribuição, pois a riqueza das nações é feita com a acumulação do trabalho de gerações. Só que as organizações da sociedade (a Previdência Social, por exemplo) estavam mal acostumadas.

Antes, muito poucos aposentados sobreviviam para usufruir por muito tempo o retorno das suas contribuições previdenciárias. Agora, com o aumento vertiginoso da expectativa de vida (os idosos atuais nasceram depois da Segunda Guerra Mundial quando houve uma extraordinária evolução da ciência e tecnologia) a sociedade está sendo obrigada a compensar em vida os que contribuíram com anos de trabalho para que as novas gerações desfrutem a situação vigente. Com o inesperado prodígio da longevidade, os cálculos atuariais (a ciência que projeta no tempo as contribuições de seguros e fundos de previdência) acenderam o sinal vermelho da burocracia e a cada dia é maior a grita dos economistas lembrando que as contribuições atuais dos que trabalham não cobrem as pensões pagas aos aposentados. Ora, as novas gerações têm que pagar a conta pelo legado que receberam e concederem aos idosos as recompensas a que fazem jus.

O que propõem o DEMOCRATAS:

1. Instituição do “Informe Federal Anual sobre a Condição do Idoso”, coordenado pela Presidência da República. (Deve conter, para conhecimento da Nação, a evolução de indicadores demográficos, econômico-financeiros, médicos, sanitários e sociais além de calendários de eventos institucionais, avanços científicos e ações assistenciais).

2. Considerar relevante, como contribuição à sociedade, os idosos — atualmente mais de 22% dos brasileiros com mais de 65 anos — que apesar de atingirem a idade da aposentadoria continuam trabalhando, fazendo parte da PEA (População Economicamente Ativa).

3. A criação de centros de voluntariado para treinamento dos “cuidadores”, pessoas que se dispõem a assistir e apoiar seus familiares idosos, dando-lhes condições de melhor exercer sua solidariedade afetiva.

4. Engajamento no Programa de Envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) para implantação do projeto.

5. Cidades Amigas dos Idosos no maior número de municípios brasileiros.

6. Maior rigor no cumprimento do Estatuto dos Idosos cuja aprovação pelo Congresso Nacional, em 2001, colocou o Brasil na vanguarda do reconhecimento legal dos direitos e da assistência do Estado aos que envelhecem.



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