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17 de agosto de 2012 às 11:57:03


Onyx pede quebras de sigilo de empresas laranjas fora do eixo Centro-Oeste

O deputado Onyx Lorenzoni (Democratas-RS) apresentou, na última quarta-feira (15), novos requerimentos de quebras de sigilo de empresas supostamente laranjas envolvidas na organização criminosa investigada pela CPMI do Cachoeira. As empresas estão localizadas fora da região Centro-Oeste, até o momento foco de atuação do comando da comissão. “Com os dados que chegaram da Delta, cada vez mais nos damos conta do volume de recursos fantásticos que ela destinou para empresas supostamente laranjas, 16 que até agora rastreamos”, justificou Lorenzoni.

São empresas como a Mamuti Transporte, SP Terraplanagem e a JSM Engenharia. “Esses sigilos precisam estar quebrados quando chegar aqui o dono da Delta, Fernando Cavendish, para que possamos ser efetivos nos questionamentos”, afirmou. Cavendish prestará depoimento no próximo dia 28.

O deputado lembrou que há 60 dias enviou requerimento para o compartilhamento do inquérito da operação Mão Dupla, desencadeada em 2010 no Ceará, que desvendou irregularidades em contratos da Delta no estado. Na ocasião, relata o parlamentar, todos os diretores do DNIT foram demitidos, por identificação de superfaturamento nas obras da construtora.

Roseli Pantoja

Sobre o depoimento de hoje de Roseli Pantoja, sócia da empresa Alberto & Pantoja, Lorenzoni pediu a convocação do ex-marido da testemunha. Gilmar Carvalho Morais é sócio de outras empresas apontadas como laranjas da quadrilha investigada pela CPMI.

“Ela, visivelmente, foi usada pelo ex-marido que tomou uma procuração dela e fez com que se transformasse em sócia em várias empresas. Ele tinha dívidas de drogas, como ela relatou aqui, e talvez tenha sido esse caminho para Gilmar ser cooptado pela quadrilha”, disse o democrata. “Resta agora trazermos o ex-marido para tirar a limpo porque só na Alberto & Pantoja foram mais de R$ 20 milhões que transitaram pela conta”, argumentou.

Roseli Pantoja foi identificada como sócia de outras quatro empresas apontadas como fantasmas. No entanto, a grafia de seu nome foi alterado, bem como houve um novo registro de CPF para a abertura dessas empresas. A depoente negou qualquer relação com Carlos Cachoeira e seus auxiliares. Também afirmou que desconhecia sua participação na sociedade dessas empresas.

Censura

O deputado, apoiado por vários parlamentares, mais uma vez protestou contra a condução dos depoimentos na comissão, com a dispensa imediata de convocados que se negam a responder as perguntas dos integrantes da CPMI.

“O próprio salvo conduto hoje dado pelo Cezar Peluso é claro. A pessoa tem o direito constitucional de ficar calado a cada pergunta. E o comando da CPI está fazendo censura com os membros da CPI no momento em que dispensa o depoente pela simples apresentação de habeas corpus ou salvo conduto”, ressaltou. O ex-diretor do Detran de Goiás, Edivaldo de Paula, apresentou um salvo conduto do Supremo Tribunal Federal para permanecer em silêncio.

Na reunião da CPMI desta quarta-feira (15), um grupo de parlamentares independentes elaborou um requerimento para modificar esse rito dos depoimentos e permitir que os parlamentares possam questionar testemunhas e investigados.

“O conjunto probatório é construído ao longo da CPI também com as perguntas. E o silêncio fala. Vou dar um exemplo recente. A ex-mulher do Carlinhos Cachoeira veio aqui e ficou calada, entrou como testemunha e saiu como suspeitíssima”, reiterou. “É muito importante que os parlamentares possam questionar da mesma maneira como faz um juiz, um policial, ou o Ministério Público nas fases de inquérito”, acrescentou.



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