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A volta do flagelo inominável?!

Deputado Claudio Cajado (BA)

Estamos assistindo com bastante preocupação aos alertas que estão sendo enviados, através de vários órgãos financeiros do País, no que se refere à escalada inflacionária que, parece, está retomando a vida do povo brasileiro.

Sem dúvida alguma, tivemos uma luta muito grande na última década, nos últimos anos, para combater esse flagelo inominável, a perda do poder aquisitivo da população brasileira.

É preciso levar em consideração que essa não é uma luta apenas dos governos, seja de Fernando Henrique ou do atual, que demonstrou, ao longo desses anos em que está à frente da chefia do Executivo federal, a responsabilidade necessária no combate à inflação. Também presenciamos que a sociedade, ao longo de todos esses anos, também prestou enormes serviços para que não tivéssemos a inflação com uma convivência pacífica no meio da nossa sociedade. Daí por que os fiscais que reiteradamente foram solicitados a entrar em campo para combater a elevação dos preços agiram. E o povo brasileiro tem como recordação distante a época em que chegava no mercado e os preços se elevavam semanalmente, às vezes, diariamente.

Porém, sabemos que essa questão voltou à tona não apenas pelo consumo, que foi elevado e estendido a diversas classes que anteriormente não tinham certos benefícios, principalmente do crédito, que está presente hoje em toda a gama da sociedade brasileira, mas por parte de um conceito de desenvolvimento sem levar em consideração as metas de inflação. As projeções deste ano eram para uma inflação de 4,5%, no teto, 6,5%. E as projeções que alguns órgãos estatísticos do próprio governo analisam é que possam chegar a 6,5%, ao teto inflacionário. Isso é extremamente preocupante, porque, se a inflação chegar a esse nível, não tenho dúvida de que teremos que ter reposição de salários e de preços. Inicia-se uma ciranda que nós já conhecemos, já vimos, como brasileiros, esse filme por diversas vezes. Daí a necessidade de contermos, por todos os meios, a escalada inflacionária. Não podemos permitir que isso ocorra, temos que ter a simbiose necessária para que possamos colaborar no que for necessário para que a inflação não retome o caminho que está sendo projetado.

Hoje assistimos nos meios de comunicação, seja na mídia falada, seja na escrita, ao fato de que os preços dos produtos estão sendo elevados, não apenas dos alimentos, mas também de outros.

Temos que ter essa preocupação, e o governo não pode permitir, de forma alguma, que tenhamos novamente na nossa economia o processo nefasto que a inflação causa.

Por isso, faço esse alerta, não apenas ao Executivo, mas principalmente ao Banco Central, que projeta o aumento da taxa SELIC, dos juros, para, no mínimo, conter um pouco essa expansão do crédito, que tem feito com que muitos possam efetivamente ter acesso a produtos e bens, porém com o preço embutido de uma inflação, que está sendo projetada nos índices de juros praticados pelas instituições financeiras. Isso, a meu ver, é lamentável, porque se cria acesso fácil ao crédito, porém se penaliza o bolso do consumidor com taxas de juros cada vez mais elevadas, o que é agravado pela inflação.

Temos de ter força para não permitir que volte a inflação a dizimar a estabilidade econômica, que nós conquistamos com muito sacrifício. Tem que ser ressaltado que essa não é apenas uma ação do governo ou de governos, mas do povo brasileiro. Nós não podemos reviver a perda salarial, a perda do poder aquisitivo com a inflação de 5%, 6%, 10% ao mês que grassava no nosso País. Isso é coisa do passado, e o governo não pode permitir que nós retomemos esse passado. Queremos que ele fique apenas na lembrança, como exemplo do que nós não podemos permitir que aconteça novamente no país.

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