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A inflação tem nome, chama-se Lula

Deputado Eduardo Sciarra (PR)

Neste 1º de julho o Plano Real completou 14 anos. Mais do que uma moeda estável, o povo brasileiro pôde usufruir um período de recuperação da dignidade nacional e da própria perspectiva de futuro para o País. Exatamente por saber a importância de uma moeda estável e de uma economia sadia é que os brasileiros, especialmente a dona de casa, estão apreensivos com o momento atual. A inflação está retornando com um ímpeto impensado e inesperado. O setor agrícola sempre foi a grande âncora do Plano Real, agora, alguns membros do governo apontam-no como o vilão da inflação.

Sabemos que as causas externas são fortes – e o governo não cansa de citá-las – e que a inflação é um problema que atinge todos os países. Mas o fato é que a responsabilidade do governo no atual surto inflacionário é grande e nada desprezível. Inflação é sempre sintoma de desequilíbrios e de doença na economia. O governo não investiu na infra-estrutura básica, omitiu-se ao não fazer as reformas necessárias para modernizar o País e desonerar o setor produtivo, não deu segurança jurídica ao investidor, aumentou impostos para cobrir gastos de custeio em detrimento de investimentos produtivos, além de manter um câmbio desfavorável às exportações. Com tantas “travas” a produção não é suficiente para suprir o consumo em alta. O resultado é inflação. Não há, pois, como negar que as causas principais estão aqui e não no exterior.

O ambiente internacional, extremamente favorável ao Brasil, nos últimos anos permitiu o acúmulo de reservas e o crescimento de cerca de 5% do PIB. Isto foi possível pelo alto preço das commodities agrícolas e metálicas, disponíveis para exportação em razão da pujança do agronegócio e pela expansão da Vale do Rio Doce e outros investimentos privados. O governo Lula limitou-se a colher o que foi plantado em governos anteriores e não fez as reformas estruturais, como a tributária, a política e a trabalhista, entre outras.

Os oito anos deste governo serão caracterizados, no futuro, como uma sucessão de oportunidades desperdiçadas na realização destas reformas, que teriam reduzido o custo Brasil, estimulado a produção e o emprego e, assim, fortalecido o País no combate à inflação e no enfrentamento de um cenário internacional adverso.

Ao lado da perda do “timing” das reformas, é flagrante a queda de qualidade dos serviços públicos, especialmente, pela contratação de temporários e cargos comissionados de militantes partidários completamente despreparados para a função pública. Esta Casa é testemunha, por ter aprovado, com a força da base aliada, a criação de milhares de cargos comissionados.

Além de não ter feito os investimentos públicos na infra-estrutura de transporte, rodovias, ferrovias, portos etc., o governo enfraqueceu deliberadamente as agências reguladoras, que serviriam como garantia de um marco regulatório estável para o investidor privado. A deficiência (ou inexistência em alguns casos) desta infra-estrutura aumenta em mais de 30% o custo dos alimentos produzidos.

Tamanho descontrole nas contas públicas, por um lado e com os custos de produção crescentes e a baixa competitividade da economia, por outro, não é de estranhar a vigorosa volta da inflação. Tentando segurá-la, o Banco Central não vê outra alternativa a não ser elevar ainda mais as já altíssimas taxas de juros.

O fato é que a inflação de maio atingiu o mais alto patamar desde 1996. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acaba de apresentar alta de 0,79% no mês passado, segundo o IBGE. Nos 12 meses entre maio de 2007 e maio deste ano, a inflação avançou 5,58%.

Lembremos que a meta anual de inflação para 2008 e 2009 é de 4,5% ao ano. Quem vai ao supermercado sabe – e os índices do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (DIEESE) registram – que o preço da cesta básica subiu quase 30% no 1º semestre. Os maiores aumentos foram registrados em Goiânia (10,6%), Brasília (6,4%) e Rio (5,9%). O feijão foi o produto com maior reajuste nos últimos 12 meses. Em nenhuma das capitais teve alta inferior a 100%.

Tal como na fábula de La Fontaine, o governo se comportou nos tempos de bonança como a cigarra: cantava os seus “feitos” enquanto acomodava os companheiros aloprados e os neopetistas juramentados e não se preparou para os tempos difíceis. Infelizmente, não podemos responder como a formiga: “se você cantava, dance agora”, pois quem paga as conseqüências desta irresponsabilidade é o povo brasileiro. O preço é a volta da inflação.

O grande culpado é o governo, cujo descontrole nos gastos e negligência em fazer reformas estruturais, que incrementariam a produtividade geral da economia, assanha a fogueira inflacionária. Todos se lembram quando Lula pontificava do alto de sua popularidade e dos palanques paquianos, bradando: “o governo tem mais é que gastar”.

Analistas econômicos sabiam que esta bomba de efeito retardado explodiria durante próximo governo. Mas parece que a conta salgada desta irresponsabilidade chegou antes da hora.

O resultado aí está... A inflação tem nome, chama-se Lula.

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