Deputado Ayrton Xerez (RJ)
Há uma preocupação que começa a tomar conta de todos os cidadãos deste País que se preocupam com o desenvolvimento e com o futuro do promissor Estado brasileiro.
Refiro-me à volta da inflação no Brasil. Esse gigante inflacionário já está sendo medido na casa dos sete pontos percentuais, e ultrapassa o centro da meta proposta pelo
Banco Central.
“O momento de fato, exige cuidado. Após dois anos adormecida, a inflação voltou a preocupar e se faz sentir no bolso dos consumidores e poupadores. Até aqui, foram os pobres os que mais sofreram. Isso porque os reajustes vieram com mais intensidade nos alimentos, entre eles o “feijãozinho”. O encarecimento da comida refletiu, em boa medida, o aumento generalizado no preço internacional das commodities. O custo da cesta básica (composta de produtos como arroz, carne e farinha) subiu mais de 20% em algumas capitais nos últimos seis meses. Mas a alta de preços é generalizada. Tanto que a classe média começa a sentir o golpe não só no supermercado como nos serviços. Para completar, suas aplicações financeiras perderam para a inflação no semestre que passou.” Publicou a revista Veja em sua edição desta semana.
Tenho a sensação de que, no afã de gerar um crescimento econômico para o País, o governo federal aponta e atira para todos os lados do quadrante. Ele agora lança sua atenção numa medida provisória que cria um fundo de garantia para a construção naval.
Até aí, tudo bem. Já tivemos em meu Estado, Rio de Janeiro, uma incipiente indústria de produtos navais que chegou a ter peso na nossa economia.
Agora não consigo me conciliar com a idéia de autorizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a abrir uma subsidiária no exterior que usará 20% de recursos da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) para gerar empregos além-mar, em outros países, e não no Brasil. Ou seja, o dinheiro do trabalhador brasileiro vai ser utilizado no exterior.
Isso deve causar estranheza a todos os cidadãos brasileiros, sobretudo aos representantes dos cidadãos brasileiros.
Parece-me um contra-senso, parece-me um nonsense aprovação de uma legislação que — espero seja modificada no Senado Federal — deverá injetar algo perto de 12 bilhões de reais/ano para gerar empregos a estrangeiros no exterior, e não a brasileiros, os verdadeiros donos do dinheiro.
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