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Projeto monocrático de poder


Fonte: Assessoria de Imprensa

Marcos Montes

Nossa economia está há seis anos sob céu de brigadeiro e elevação dos gastos públicos, mas, como os homens de bom senso já esperavam, chegamos ao fim desse período em que o governo aproveitou a estabilidade para agir sem responsabilidade, aparelhando a máquina pública. Isso já compromete os investimentos, a geração de empregos, eleva os índices inflacionários e reduz o poder de compra dos mais pobres.

É neste momento de crise que o Brasil conhecerá suas grandes lideranças político-administrativas. Foram seis anos de céu de brigadeiro em que o atual governo investiu pouco e gastou mal os recursos públicos sem encontrar dificuldades. O pleito eleitoral se encerra e o País terá condições reais de avaliar quem é quem neste momento conturbado da economia mundial, pois não será possível contar com o peso dos cofres públicos, mas, apenas, com a habilidade de pilotar no meio dessa turbulência.

A estabilidade de nossa economia e o uso da máquina pública foram utilizadas nesse pleito eleitoral com o objetivo de massacrar os partidos de oposição. Essa gastança compromete as bases da economia, bem como a solidez de nossa democracia. Ficou claro nesse período que a máquina pública foi utilizada com o objetivo de perpetuar a base governista no poder e contrariar o maior dos princípios constitucionais, o Pluralismo Político.

A prova da irresponsabilidade e do projeto monocrático de poder são as declarações contraditórias quanto a crise. O governo afirmou, antes das eleições, que a crise não chegaria ao Brasil, mas após o pleito o discurso mudou. Esta semana o ministro da fazenda, admitiu que a crise vai ser longa e com forte impacto sobre a economia real em todos os países, inclusive no Brasil.

Aproveito este momento para uma avaliação dos últimos vinte anos de nossa economia em que medidas duras e necessárias foram tomadas, o que nos proporcionou momentos de estabilidade. O governo Sarney extinguiu a conta movimento do Banco do Brasil e criou o Tesouro Nacional; o governo Itamar o Plano Real; o governo FHC a Lei de Responsabilidade Fiscal. Essas medidas, cada uma a seu tempo, foram fundamentais para a solidez de nossa economia. Muitas dessas ações foram impopulares, mas decididas com fundamentação técnica e sobretudo pensando a longo prazo.

Porém, o atual governo, vem na contramão e apenas elevou as despesas. Ele goza de um elevado capital político, mas não institui uma agenda propositiva capaz de manter o equilíbrio econômico, como a reforma tributária e a conseqüente redução da carga tributária. Por isso, reafirmo a posição do meu partido, o Democratas, de lutar contra o uso abusivo da máquina pública e desse projeto monocrático de poder, que compromete tanto a estabilidade econômica como a solidez de nossa democracia.

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