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“Ao mestre com carinho”


Fonte: Assessoria de Imprensa

Deputado Lael Varella - MG

Diante de leis completamente defasadas, a violência vem tomando conta de nossas escolas, causando não poucas preocupações aos pais e professores. Ninguém na Câmara dos Deputados acha razoável que um menor delinqüente paralise uma escola inteira, impedindo os mestres de ensinar e estimulando os colegas a desafiar a autoridade. Com efeito, o presente clima de impunidade do menor vai dando azo às mais disparatadas ousadias.

Os fatos se repetem e outros virão, segundo matéria de Barbara Gancia, na Folha de S. Paulo, citando uma aluna de um curso supletivo de Campinas que foi presa, acusada de derrubar a pontapés a porta da sala de aula. Qual teria sido o motivo de tamanha violência? A moça não se conformou em ser proibida de entrar na classe onde se apresentou com 20 minutos de atraso.

Ou seja, alunos não aceitam a disciplina imposta e reagem fazendo uso de força. A cada dia surge um caso novo. É o garoto que levou um revólver para a escola a fim de acertar contas com o mestre, é a turminha que pôs fogo no carro da diretora, é a menina que perdeu a compostura e estapeou a professora, é o pré-adolescente que sacou um canivete no meio da classe...

Tratar esse tipo de ocorrência como mera insubordinação ou achar que são casos isolados é ser conivente com o crime. A tragédia já foi anunciada faz tempo, e as providências não estão sendo tomadas. O caso do seqüestro em Santo André não tinha nem mesmo chegado ao seu triste fim e, na famigerada página do Orkut, na internet, uma comunidade chamada “Força Lindemberg, estamos com você!” já contava com 1.855 membros.

Veja o que dizem algumas das mensagens postadas pelos internautas, na típica linguagem telegráfica usada na rede pela molecada: “Antes de mais nada, quero deixar claro q reprovo a atitude dele, porém quem nunca errou na vida?”; “Tá certo, concordo q ele tem q ficar uns meses preso... mas o cara é sangue bom, trabalhador, humilde, a mina deixou ele doido”; Existem outras comunidades no Orkut igualmente depravadas, como a da turma dos admiradores de Suzane Von Richthofen e a do pessoal que faz pouco das vítimas do acidente da TAM, em Congonhas.

A jornalista Barbara Gancia faz a pergunta que merece reflexão: “Será que a adesão entusiasmada de quase 2.000 pessoas em menos de uma semana que ela suscitou não deveria soar algum tipo de alarme sobre a corrosão de valores e a passividade diante da violência?

É preciso voltar a ensinar valores morais e cívicos à nossa juventude e imprimir nela convicções profundas, como premiar a virtude e castigar o vício. O crime de Santo André chocou toda a sociedade brasileira. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva fez, a propósito, um comentário verdadeiro: “As pessoas não aceitam que o mal existe. Infelizmente, ele existe”.

Não foi por amor, nem por desespero, nem porque a polícia invadiu o apartamento em Santo André que Lindemberg Alves matou a ex-namorada Eloá Pimentel, de 15 anos, com um tiro na cabeça, mas foi por maldade. Pura e simples. “Ele é um psicopata. Não matou por obsessão. Matou porque é mau”, declarou Ana Beatriz.

O diagnóstico da psiquiatra não é um daqueles comentários feitos depois da tragédia consumada. No dia 17, às 17 horas, durante entrevista ao Estado de S. Paulo sobre o lançamento de seu livro Mentes Perigosas, ela foi taxativa: “Esse caso de Santo André já foi longe demais. Já passou da hora de essa história acabar bem. Ou a polícia vai pegá-lo quando ele cochilar ou ele vai matar essa menina.” Uma hora depois, Eloá era carregada para o hospital com um tiro na cabeça.

Psiquiatra há 20 anos, com pós-graduação na Universidade Federal do Rio, e há cinco estudando especificamente o comportamento dos psicopatas, Ana Beatriz acredita que só havia uma chance de Eloá sair com vida do seqüestro. “A polícia deveria ter atirado nele quando teve a chance. Não se negocia com psicopatas.”

A sociedade relativizou os valores de nossa civilização cristã e com isso perdeu a segurança. A polícia tem medo de atirar no bandido e os professores de corrigir os alunos. A ponto de um professor anônimo escrever: “Como dar aulas para alunos que amam Fernandinho Beira-Mar, PCC, AK44 e outros termos de marginal???? Eles só falam disso. Na aula de matemática a única coisa que interessa pra eles é quantos tiros o fuzil dá por minuto. Ninguém merece ensinar matemática para ‘projeto de marginal’!

Não adianta investir milhões na educação se não forem transmitidos valores morais para a nossa juventude, como premiar as virtudes e castigar os vícios. É preciso colocar balizas no comportamento da juventude. Reprimindo o mal daremos liberdade para o bem se desenvolver. Caso contrário, a nossa educação só irá fortalecer a violência e a criminalidade.

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