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Falta de crédito


Fonte: Assessoria de Imprensa

Deputado Felipe Maia – RN

Como Democrata, como partido de oposição, não ocupo apenas a tribuna da Câmara para criticar o governo. Quando é para elogiar, eu o faço; quando é para cobrar, assim também o faço.

Reporto-me a um artigo que saiu na Folha de S.Paulo e em toda a mídia nacional, no dia 5 de novembro, quarta-feira última, que dizia que o governo decide socorrer montadoras. Em reunião, dirigentes do Banco do Brasil, assim como de empresas e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiram criar uma linha especial para ajudar o setor automobilístico.

Naquela reunião, o Ministério da Fazenda decidiu que através do Banco do Brasil iria criar uma linha de crédito especial para os bancos das montadoras. Estuda ainda que o Banco do Brasil poderá também colocar a possibilidade de compra das carteiras de crédito de automóveis dos bancos das montadoras. Há uma preocupação do governo, neste momento, com as montadoras, com as fábricas, com aqueles que produzem os carros. As montadoras, hoje, significam algo em torno de 24% da produção industrial do Brasil. Com essa atitude, o governo mostra preocupação com a recessão, demonstrando que ela não é apenas uma marola, é uma onda grande. O governo começa a se manifestar, a se movimentar, porque vê que o Brasil e a produção industrial podem ser afetados em grande montante.

No momento em que elogio o governo federal, e até aqui aplaudo a iniciativa de injetar recursos, de criar uma linha de crédito especial para as montadoras, para a indústria, também acho que o governo poderia ir um pouco mais além.

Recentemente, fui procurado por diversos empresários, diversos donos de lojas de carros usados. Na verdade, a queda na venda dos automóveis novos girou em torno de 11% nos meses de setembro e outubro deste ano.

Conforme pesquisas que são do meu conhecimento, nos meses de setembro e outubro o número de carros usados vendidos no País caiu quase 50%. É importante que o governo se preocupe com as montadoras e com a indústria, mas é importante também que o governo se preocupe com o comércio.

Sabemos quantas mil lojas de carros usados existem neste país, quantos milhões de pessoas dependem do emprego e estão sendo demitidas porque as lojas estãofechando as suas portas devido à falta crédito. Quando tem crédito, a taxa é altíssima. Para se ter uma idéia, as montadoras estão subsidiando os juros a 0%, a 0,99%, muitas vezes a 1,5%.

Quando o comprador vai a um banco buscar financiamento para o carro usado, o juro gira em torno de 2,35%, podendo chegar um pouco para mais, um pouco para menos. A média é de 2,35%. Ou seja, não existe crédito. Quando existe, a taxa é muito alta. Mesmo quando existe crédito, a taxa é alta e algum corajoso se arrisca a comprar um carro usado, os bancos, ultimamente, com medo da inadimplência, colocam todo tipo de entrave para que aquele crédito não seja concedido.

O que acontece? Os bancos não emprestam recursos, os compradores não compram os automóveis, as lojas fecham as portas, os empresários e lojistas sofrem e desempregam, o que acaba gerando recessão e desemprego.

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