Opinião

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Os destaques de 2007


Maria Inês Dolci


Fonte: Folha de S. Paulo

Como esta coluna é a última de 2007, tomei a liberdade de criar "prêmios" para os fatos que mais me impressionaram neste ano, em algumas áreas. Obviamente, o tom de brincadeira decorre da proximidade do Natal e da festa de Ano Novo. Feliz 2008 para todos vocês!


1. Troféu Especial "Barão de Münchhausen" (personagem atribuído a Rudolph Erich Raspe, que "aumentava" um pouco as histórias que contava): "Pobre não paga CPMF" (Luiz Inácio Lula da Silva).


2. Prêmio "Mico do ano": TV digital com decodificador caro.


3. Medalha "Vôo kamikaze": para todos os envolvidos no caos aéreo brasileiro, que começou em 2006 e continua firme e forte.


4. Troféu "Me engana que eu gosto": para os lojistas que cobram um preço à vista para pagamento em cartões de crédito e de débito. Mas que concedem "desconto" para quem paga em dinheiro ou cheque.


5. Prêmio "Sinal vermelho": para o Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que quer obrigar donos de automóveis a comprar, com o carro, um rastreador, sob o argumento de mais segurança no trânsito.


6. Diploma "Saco de risadas": para o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que elevou o Brasil à categoria de país desenvolvido.


7. Distinção "Inferno na Terra": para o calvário dos consumidores que tentam, sem sucesso, cancelar um contrato de telefonia celular, de TV por assinatura e similares.


8. Troféu "Poliana": ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), que concedeu seu selo a brinquedos proibidos em outros países devido a ferimentos e até morte de crianças.


9. Medalha "Avante, companheiros, avante": para a substituição de ouvidores reconhecidamente capazes por "companheiros" políticos do atual governo federal.


10. Prêmio "Nos trilhos": para um futuro em que o transporte ferroviário seja reativado no Brasil, não só para cargas mas para passageiros.


11. Diploma "Não se queixe Febraban (Federação Brasileira de Bancos)": para a instituição do CET (Custo Efetivo Total), que facilitará a comparação entre os custos dos empréstimos bancários.


12. Prêmio "Já vai tarde": para a CPMF, que seria para a saúde (mas não de todo); que garantiria o Bolsa Família (mas o programa continuará sem ela); e que se somava a um exército de impostos, taxas e contribuições que não nos garantem serviços minimamente razoáveis.


Também decidimos premiar, sem muitos comentários, personalidades e segmentos empresarias do ano que finda. Limitamos a cinco, embora muitos outros mereçam ser agraciados, para não exagerar na dose.


1. "Piloto no chão": ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, por bravatas que não amenizaram a crise aérea.


2. "TV a vapor": ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, pelo já citado mico dos decodificadores.


3. "Farinha pouca, meu pirão primeiro": a nossos amigos banqueiros.


4. "Meu bolso": para a entrada em vigor da conta detalhada, que ajuda os usuários a controlar seus gastos em telefonia fixa.


5. "Ora, pílulas": aos laboratórios farmacêuticos cujos contraceptivos, por ironia, ajudam a aumentar famílias.

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