Em artigo, Caiado diz que desenvolvimento social é mola fundamental para o desenvolvimento econômico do país

15 de Outubro de 2019

Artigo foi publicado na edição desta terça-feira- 15, no jornal O Globo.

Em artigo publicado hoje, 15, no jornal O Globo , o governador de Goiás, Ronaldo Caiado chamou atenção para os índices de desigualdade social no Brasil, que ele relatou como uma situação de colapso social. Caiado defendeu uma ” uma sólida reforma social” e  a educação um caminho possível para reverter essa situação.

Ele apresentou como exemplo da sua gestão  o “Programa Alfabetização e Família” e sugeriu um encontro de governadores e prefeitos para a construção de um Plano de Superação  Social com o governo federal. A proposta já havia sido apresentada ao presidente da Câmara, também do DEM, Rodrigo Maia.

“Temos a certeza de que o desenvolvimento social é uma mola fundamental para o desenvolvimento econômico”, afirmou.

Confira o artigo na íntegra:

Artigo: Colapso social e desenvolvimento econômico

A demanda pelos serviços públicos será crescente

Um artigo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) deve acender de imediato o sinal vermelho de todos nós, prefeitos, governadores e governo federal. A desigualdade no Brasil voltou aos níveis de 2007. Vivemos um verdadeiro colapso social. A era do PT no governo gerou pedaladas fiscais e, também, sociais. Não houve política social sustentável. Só slogans. Agora temos uma dramática urgência que atrela paralisia social e o momento econômico difícil do país.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tem três eixos centrais para a sua medição: renda, longevidade e educação. Infelizmente, o Brasil se arrasta há três décadas no mesmo lugar no ranking mundial, justamente porque não conseguiu implementar uma política educacional consistente. E, sem educação, a população é mergulhada numa profunda e preocupante inércia social.

No início da  gestão à frente do governo de Goiás, solicitei ao Gabinete de Políticas Sociais uma radiografia completa da educação. Tendo por base dados do IBGE e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os resultados dos estudos demonstram que houve retrocessos em Goiás nos últimos anos.
Entre 2017 e 2018, em todas as idades, a taxa de escolarização piorou.  O analfabetismo entre homens com mais de 15  anos apresentou aumento. Ainda nesse período, 25% dos alunos do ensino médio estavam atrasados nas áreas urbanas. Nas rurais, 34%. A distorção idade-série afasta o jovem da universidade e do mercado de trabalho.

No período entre 2016 e 2017, o IDH Educação sofreu queda em 11 estados do país, informou o relatório do Pnud de 2017. Goiás foi a unidade da Federação que teve o terceiro pior índice neste levantamento.   Em 1991, tinha o nono melhor IDH do Brasil. Em 2017, estava na mesma posição. Não avançamos nenhuma posição em três décadas justamente devido ao descaso de governantes para com a educação.
Em termos comparativos, o IDH de Goiás é pior que o registrado na Argentina, Uruguai, Irã,  Albânia e Sri Lanka, por exemplo.  Já estamos lutando  contra o tempo, na medida em que o IDH de 2021 será derivado do Censo 2020.  Nas últimas três décadas, gestões anteriores esconderam  a realidade. O que fazemos agora questão de expor de maneira cristalina e sem maquiagens.
Em reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em setembro, debatemos esse tema que envolve todos os estados brasileiros. Aproveitei e apresentei o Programa Alfabetização e Família, que pode ser aplicado em qualquer lugar do país, e ofereci Goiás para sediar um encontro de governadores e prefeitos para construirmos um Plano de Superação  Social com o governo federal. Proposta imediatamente aceita por Maia. Temos a certeza de que o desenvolvimento social é uma mola fundamental para o desenvolvimento econômico.

Em recente reunião com os meus secretários, destaquei que educação de qualidade não é slogan, mas responsabilidade de todos. As políticas de governo devem sempre caminhar nesta perspectiva. Sabemos que não é possível realizar em quatro anos o que deveria ter sido feito ao longo das três últimas décadas, mas é possível, sim, dar início a um grande trabalho para alcançar as verdadeiras mudanças na educação pública de Goiás e do Brasil. É a única forma possível para reverter o colapso social e colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento econômico sustentável.

Não podemos lavar as mãos e deixar piorar. Chegou a hora de todos assumirem a responsabilidade e agir.

Ronaldo Caiado é governador de Goiás

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