Estudo para formatar clube-empresa mostra que alguns clubes levariam mais de um século para pagar dívida, diz Pedro Paulo

07 de Outubro de 2019

O deputado será o relator de um projeto que ainda será apresentado na Câmara propondo a criação de clubes-empresa no Brasil.

Nos estudos técnicos para a formatação do projeto do clube-empresa, o deputado Pedro Paulo (RJ) encomendou à consultoria legislativa da Câmara um panorama econômico-financeiro de 19 clubes do país no ano de 2018. A análise contábil indicou uma situação dramática para alguns.

“A conjuntura é catastrófica. Times como Santos e Chapecoense, por exemplo, apresentam geração de caixa negativa, e nunca vão conseguir pagar seus passivos. Já o Cruzeiro vai precisar de mais de dois séculos para quitar suas dívidas. Muito além do tempo médio para a maioria dos clubes que é de 10 anos”, alerta o deputado Pedro Paulo, que é relator do projeto, a convite do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

O resultado também aponta que dos 19 clubes analisados, 16 possuem despesas financeiras maiores que as receitas. Com os recursos escassos, em geral, alguns não pagam as dívidas com o Fisco. O montante dos débitos tributários (R$2,5 bilhões) em relação aos demais débitos (R$7 bilhões) varia de 2%, caso do Chapecoense, a 86%, exemplo do Flamengo.
Além disso, os clubes gastam, em média, 50% do que arrecadam com despesa com pessoal. Os gastos com a folha de pagamento variam entre 29% (Palmeiras) e 75% (Sport). E o superávit líquido dos times é de apenas R$32 milhões.
Encontrar uma solução para o alto endividamento dos clubes, apresentando sugestões para a recuperação judicial, além de trazer investidores para o futebol, num ambiente empresarial profissional com responsabilidade patrimonial, são alguns dos principais objetivos da regulamentação do clube-empresa.

Embora a maioria tenha rentabilidade baixa ou negativa, em geral, os clubes apresentam receitas elevadas. A receita líquida total dos 19 clubes analisados é de cerca de R$5 bilhões.

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