Para Efraim a cota de importação do etanol americano prejudica o produtor do Nordeste

10 de Setembro de 2019

Segundo o deputado, a decisão do governo, publicada no Diário Oficial, desagradou e com razão os produtores da indústria sucroalcooleira do Nordeste.

Na avaliação do deputado Efraim Filho (PB) o impacto da renovação da cota, para importação do etanol americano, não foi visto como positivo no Norte e Nordeste do Brasil. “Na safra passada, o setor bateu um recorde. 65% da oferta da cana de açúcar foi destinada à produção do biocombustível. Para este ano a expectativa é de uma safra melhor ainda”, explicou Efraim.

Para o parlamentar a decisão do governo, publicada no Diário Oficial, desagradou e com razão os produtores da indústria sucroalcooleira do Nordeste. “Eles (os produtores) não esperavam essa medida. Além de aumentar de 600 milhões para 750 milhões de litros a quantidade a ser importada, o produto americano terá isenção de tarifa. O que não é justo para os produtores brasileiros”, declarou Efraim Filho.

A cota anterior valia até a última sexta-feira (30), mas não havia consenso dentro do governo se a quantidade deveria ou não ser aumentada. O Ministério da Agricultura era contra, mas perdeu a disputa para o Ministério da Economia.

Em conversa com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (MS), Efraim Filho comentou a decisão e defendeu os produtores do Nordeste. “A medida atendeu os interesses dos americanos. Há cerca de dois anos, o governo fez um compromisso com os produtores de que a isenção de 600 milhões de litros, por ano, não seria renovada e agora foi renovada com mais benefícios. A renúncia fiscal ficou em torno de R$ 270 milhões, não dá para entender”, desabafou o parlamentar.

Ainda de acordo com o congressista, havia uma pressão grande dos americanos para uma abertura mais ampla do mercado. “Mas essa abertura precisaria vir acompanhada da abertura do mercado de açúcar brasileiro, nos Estados Unidos, o que ainda não aconteceu”, afirmou.

O Brasil foi o principal destino dos embarques de etanol de milho dos EUA, com importações de mais de 1,7 bilhão de litros no ano passado.

O Brasil produz cerca de 30 bilhões de litros de etanol por temporada. De acordo com o Ministério da Agricultura, na safra 2018/2019 a produção deve ser recorde, de 33,14 bilhões de litros. O Brasil é o segundo maior produtor mundial. Os EUA produzem quase o dobro, mas o combustível brasileiro, feito de cana-de-açúcar, é considerado mais ecológico do que o feito de milho.

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